“Poemas Ultra-Românticos e Outros”, uma simbiose de diversidades poéticas, por um
lado pela apresentação de poemas característicos a um romantismo exacerbado e por outro lado por apresentar poemas que
relatam uma série de acontecimentos sociais e consagrados, postos à
interpretação de cada leitor.
Falando de
ultra-romantismo, característica que o poeta mais investiga e inspira-se, é
falar da corrente substituta do Romantismo. Os escritores do séc. XIX
exageraram as normas estabelecidas pelos seguidores da corrente que os
antecedia.
Em “Poemas
Ultra-Românticos e Outros”, os sujeitos poéticos da maior parte dos
poemas os seus interiores passam a ser egocêntricos, ou seja, vivem obcecados
com seus íntimos, sentem-se frustrados, centro das atenções, abandonados,
loucamente apaixonados sem ter espaço para nada. O conteúdo temático fundamenta
o terrorismo, pois os temas que predominam são melancolia, o tédio, a morte, a
tristeza e a solidão, isto explica o facto de que no período em que se viveu o
U/R (finais do séc. XIX), considerava-se esse período como sendo o “Mal do
Século”, destacando o pessimismo e o desencanto pela vida.
O poeta
para além do exagero ao Romantismo, mostra também a sua inclinação para os poemas
românticos, que emocionam e incentivam o desempenho ao amor, sem esquecer
daqueles que espelham o mundo real e por fim nota-se os de dedicação a seu pai,
divindades, familiares e amigos.
Sendo jovem e envolvido num mundo apaixonado,
encantado e preenchido de factos desde os mais tristes, excitantes aos mais comoventes
e emocionantes, não deixaria de espelhá-los, se bem que a muitos parecem
inusitados, mas que o mesmo vê como fonte de pacificação espiritual.
Caros leitores, espero que não se espantem com o
U/R, como já havia destacado, esta corrente, o seu fundamento está no exagero
do Romantismo, sobretudo na linha temática. Isto explicará o facto de que em
poemas como “Lutar para te ter”, “Nada
vale as noites”, “Ainda”, “Te espero”, “Dilema”, “Amor mórbido”, “Lembranças”,
“amor teimoso” e tantos outros estarem substanciados de temas para além dos
supracitados, a saudades, a ilusão, enganos (…) o sujeito poético que se apresenta
nestes poemas parece inútil, muita das vezes traído no amor. Por consequência,
o autor chama a maior atenção ao escolher um destes para declamar ao seu amor,
e aposta na reconciliação dos amores pelo poder da emoção que estes poemas
acarretam.
Bizarro… sim, muito estranho mesmo, nem já se
sabia ler um poema, os versos quedavam o sentido melódico da declamação,
outrossim, detestava-os. Mas, o que justificaria a suposta habilidade que então
acarreta? – Para começar a navegar pelos recônditos do género lírico teve que
se endividar com a sua professora de literatura. Sim, endividar-se! No primeiro
ano da faculdade, no segundo semestre, em plena a tarde, estava a doutora,
literata especialista a falar do ultra-romantismo brasileiro, quando notara que
um quarteto de estudantes barulhava. Era eu, o José, que figura, o Diogo e o
Tavares, bem! o Cláudio também, mas a Doutora apanhou com a boca na botija o
referido quarteto. Em seguida, porque já estava mesmo no fim, deu-nos como tarefa,
decorar um poema, para na aula seguinte enfrentar os colegas e declamarmos. E
como todos seus estudantes queriam surpreendê-la, caprichei na preparação, que
por sorte me foi dado para decorar o poema Saudades,
de Álvares de Azevedo. Foi um castigo divinal, sem igual, não sei como li, não
sei como decorei, mas amei, embora na aula a seguir, a Professora não cobrara,
estava preparado. Depois daquilo estava apaixonado, sim apaixonado, atenção, não
pela Prof. mas pela corrente literária.
Vanessa e Domingas, agora entendem o porquê da
gratidão à literata? Não fiquem mais com ciúmes! Aliás, como vocês mesmo dizem
não é ciúmes, mas o valor exagerado que dás à Prof. Vêem? Simples gratidão.
José Lucas
“O Ultra-romantismo fundamenta o desencanto pela
vida”, Fátima Fernandes, Ph.D.
